1 de julho de 2022

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Soluções Ambientais

As Cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil

Tartarugas marinhas são seres que há mais de 100 milhões de anos vivem nos nossos oceanos, mas atualmente existem várias ameaças à sua sobrevivência.
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As tartarugas marinhas são muito importantes para os ecossistemas marinhos, pois são fonte de alimento para diversos animais, são consumidores de organismos marinhos e servem como substrato para outras espécies, ou seja, outros organismos podem viver sobre as tartarugas, como por exemplo as cracas e plantas que são encontradas sobre o casco. Até o século XIX, eram abundantes nos mares tropicais e subtropicais, apresentando grandes populações. Porém, atualmente existem sete espécies de tartarugas marinhas (Chelonia mydas, Caretta caretta, Eretmochelys imbricata, Lepidochelys olivacea, Dermochelys coriacea, Lepidochelys kempie, Natator depressus) e todas se encontram na lista vermelha de animais ameaçados da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) e, no Brasil, na Lista Oficial de Animais Ameaçados de Extinção do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), devido à interferência humana generalizada.

As tartarugas marinhas são seres migratórios que passam a maior parte do tempo no mar, atravessando os oceanos para se alimentar, se reproduzir e desovar. São animais que possuem um ciclo de vida longo, portanto, longos intervalos entre as gerações, isto é, entre os períodos de recrutamento de novos indivíduos, o que faz com que as ameaças promovidas pelos humanos tenham um grande impacto na persistência de suas populações.

Principais ameaças:

As tartarugas marinhas enfrentam diversas alterações no seu ambiente decorrentes das ações humanas, tornando-as vulneráveis ou ameaçadas. Uma das principais ameaças é a intensa ocupação do litoral brasileiro. O avanço da urbanização sobre as praias provoca grandes alterações em áreas que são utilizadas para desova das tartarugas marinhas, pois a presença de iluminação artificial faz com que os filhotes que saem dos ninhos confundam essas luzes com a luz natural refletida no mar. Com isso, os filhotes ficam desorientados e seguem no sentido oposto ao mar, não conseguindo alcançar as águas. As grandes construções também causam sombreamento nessas praias, o que diminui a temperatura média da areia e interfere diretamente na proporção de machos (areias mais frias) e fêmeas (áreas mais quentes) que nascem.

Praias com empreendimentos turísticos muitas vezes também apresentam intenso trânsito de veículos sobre as áreas que as tartarugas utilizam para desova. A passagem desses veículos causa a compactação do solo, dificultando a saída dos filhotes do ninho e, além disso, deixam marcas dos pneus que podem deixar os filhotes presos ou, até mesmo, atropela esses filhotes.

No passado, muitas tartarugas eram mortas quando subiam até a areia da praia para desovar e tinham seus ovos coletados, sendo um recurso alimentar e de renda para os pescadores locais. Este foi um dos principais motivos das tartarugas marinhas entrarem em processo de extinção, pois há a evidente interrupção de seu ciclo de vida e a redução de sua população.

Outra ameaça é a captura acidental, ou seja, a pesca que não tem como objetivo as tartarugas marinhas, mas que, por utilizar extensas redes no mar, acaba capturando esses animais, em pescarias costeiras e oceânicas. A modernização dos equipamentos e a intensificação da atividade pesqueira têm aumentado os índices de captura incidental e morte das tartarugas. A morte pode ser causada por afogamento, já que elas ficam presas por muito tempo nas redes e acabam não conseguindo subir até a superfície para respirar, ou por ingestão de anzóis que acabam perfurando seus órgãos internos. 

A poluição também causa grandes impactos, pois interfere na alimentação e locomoção das tartarugas marinhas. Muitos registros de morte são feitos e a causa principal é devido a sufocamentos por ingestão de materiais plásticos, pois os animais acabam confundindo esses materiais com seu alimento por possuírem a mesma aparência, como sacolas plásticas que na água parecem águas vivas. A presença de sacolas plásticas, linhas de pesca, garrafas, dentre outros materiais, além dos problemas relacionados à sua ingestão, também pode causar deformações e estrangulamento de membros.

A fibropapilomatose é outra ameaça para esses animais. Esta é uma doença que se caracteriza por tumores (papilomas) que aparecem na pele e podem variar de 0,1 cm a 30 cm de diâmetro. Esses tumores possuem incidência maior nos olhos, pescoço e nadadeiras, e acabam atrapalhando as tartarugas em sua movimentação, deixando-as debilitadas e até levando-as à morte. Muitos estudos são feitos e apesar de haver evidências de ser um agente viral o causador da fibropapilomatose, ainda são muito incertos os fatores que influenciam a presença dos papilomas.

A conservação:

Com essas ameaças e a perspectiva de uma possível extinção, muito tem sido desenvolvido na área de conservação. No Brasil, a principal instituição de conservação das tartarugas marinhas é o projeto Tamar, que apresenta diversos métodos e meios de conservação.

Uma das iniciativas compreende as técnicas empregadas nas praias de desova, onde há um monitoramento intensivo durante a temporada de reprodução, que vai do mês de setembro a março. Nesse período, é feita a observação diária das fêmeas que sobem à praia para a postura. Após a postura dos ovos, é realizada a marcação das tartarugas adultas e biometria, para um melhor estudo e compreensão de rotas migratórias, crescimento, dentre outras informações. A marcação diz respeito às anilhas, com numeração e órgão responsável, que são colocadas em cada nadadeira anterior. Depois de feita a marcação, essa numeração é registrada em documento com as informações da biometria, que se refere aos dados físicos, como peso, largura e comprimento do casco das tartarugas. Se a fêmea já tiver sido marcada anteriormente, faz-se o registro da marcação e das condições em que a fêmea se encontra.

Após a postura, o monitoramento ainda é contínuo, sendo observados todos os dias até o nascimento dos filhotes. No ninho, é colocada uma estaca numerada e uma tela que evita a os ovos sejam predados por outros animais. Por fim, se faz o registro do ninho, seu local e data de desova. Em áreas que apresentam dificuldade de monitoramento, os ovos são transferidos para áreas de pesquisa ou para cercados de incubação com todos os devidos cuidados, de forma que, quando os filhotes nascem, são identificados e liberados em praias longe de luz artificial e com uma distância da água suficiente para que possam reconhecer a praia, já que, quando adultas, elas voltam para a mesma praia para a reprodução. 

Em áreas de alimentação, quando há ocorrências com tartarugas, são feitos os mesmos procedimentos de marcação e, se saudáveis, os animais já são liberados no mar. O registro das ocorrências, na maioria das vezes, vem de pescadores que apoiam o trabalho dos pesquisadores e, assim, quando encontram tartarugas presas incidentalmente em suas redes de pesca, entram em contato com a equipe do Tamar. Se as tartarugas estiverem com ferimentos ou apresentarem algum tipo de doença, são levadas para a reabilitação em tanques nas bases do projeto, onde recebem todo o cuidado e tratamento necessários. Quando mortas em encalhes, é feita a necrópsia para tentar identificar a causa da morte.

Ainda referente à questão da pesca, muitos pesquisadores do projeto Tamar embarcam em frotas pesqueiras comerciais, registrando e coletando informações de capturas incidentais e, assim, caracterizando os impactos que a atividade pesqueira causa nas populações de tartarugas marinhas.

Em todos os casos, ter a participação da comunidade local na conservação desses indivíduos é muito importante para os trabalhos realizados, sendo também muito importante haver a conscientização do maior número de pessoas possíveis. Para isso, muitos projetos e trabalhos de educação ambiental são realizados, para que todos tenham conhecimento das reais condições desses animais no mundo atual e do que deve ser feito para protegê-los da extinção. Muitos eventos são realizados como ações educativas nos locais com bases de proteção e pesquisa, não só para a comunidade local, mas também para os turistas, já que existem bases para visitantes junto com as bases de pesquisa e proteção, que possuem grande diversidade de material para conscientização. Outros recursos empregados são exposições, palestras, campanhas, cartazes, vídeos e fotos.

Segundo dados publicados na página do projeto Tamar na Internet, na temporada reprodutiva de 2012-2013, foram protegidos no total 21.214 ninhos. Os dados também indicam que, entre 2004 e 2011, o crescimento anual no número de ninhos de tartarugas-cabeçudas foi de 4,6%, de tartarugas-de-pente foi de 5,7 %, e de tartarugas-oliva foi de 12,3 %.

Os resultados de análises de dados de monitoramento durante 15 anos (1991- 2006) mostram que os ninhos da tartaruga-de-pente passaram de 199 para 1.345 no período. Hoje, o Brasil é uma das principais áreas de desova dessa espécie no Atlântico, com o litoral norte da Bahia em primeiro lugar e o litoral sul do Rio Grande do Norte em segundo.

Para as tartarugas-cabeçudas, foram analisados os dados entre as temporadas reprodutivas de 1988-1989 e 2003-2004. O crescimento foi de cinco vezes, passando de 1.200 ninhos para mais de 6.000 e colocando o Brasil como uma das principais áreas de desova do mundo. A espécie tartaruga-oliva aumentou o número de ninhos em 10 vezes, passando de 256 na temporada de 1991-1992 para 2.606 na temporada 2002-2003, e tornando sua população uma das mais numerosas do Atlântico oeste. Finalmente, os estudos para as tartarugas-de-couro também apresentaram um aumento significativo, com variação de 6 ninhos em 1993-1994 para 92 em 2002-2003. Porém, estas ainda apresentam um número reduzido de desovas.

Com todas essas informações, podemos perceber a importância da conservação das tartarugas, do trabalho de todos os pesquisadores e da comunidade envolvida, além da conscientização de toda a população humana, para que assim as tartarugas marinhas possam recuperar seu ciclo de vida completamente, aumentar sua população e ter condições adequadas de vida no ambiente marinho. 

Espécies de tartaruga marinha encontrada no litoral brasileiro:

TARTARUGA DE COURO OU TARTARUGA GIGANTE:

  • Nome Científico: Dermochelys Coriacea
  • Nomes comuns: Tartaruga-de-couro ou Tartaruga-gigante
  • Status internacional: Vulnerável (classificação da IUCN)
  • Status no Brasil: Criticamente em Perigo (classificação do MMA)
  • Distribuição: Todos os oceanos tropicais e temperados do mundo.
  • Habitat: Vive usualmente na zona oceânica durante a maior parte da vida. A única área regular de desova conhecida no Brasil situa-se no litoral norte do Espírito Santo.
  • Tamanho: Até 178cm de comprimento curvilíneo de carapaça.
  • Peso: Em média 400kg.
  • Casco (carapaça): Composto por uma camada de pele fina e resistente e milhares de pequenas placas ósseas, formando sete quilhas ao longo do comprimento, daí o nome popular, de couro. Apenas os filhotes apresentam placa
  • Cabeça: Proporcionalmente pequena, com mandíbulas poderosas em forma de W, com lâminas afiadíssimas para a captura de águas-vivas.
  • Nadadeiras: As dianteiras podem atingir mais de dois metros.
  • Dieta: A dieta é composta por zooplâncton gelatinoso, como celenterados, pyrossomos e salpas.
  • Nº de ninhos no Brasil: Aproximadamente 120 por temporada
  • Curiosidades: A área conhecida com desovas regulares situa-se no Litoral norte do Espírito Santo, próximo à foz do Rio Doce.

TARTARUGA VERDE OU TARTARUGA ARUANÃ:

  • Nome Científico: Chelonia mydas
  • Nomes comuns: Tartaruga-verde ou Tartaruga-aruanã
  • Status internacional: Em Perigo (classificação da IUCN)
  • Status no Brasil: Vulnerável (classificação do MMA)
  • Distribuição: Ocorre nos mares tropicais e subtropicais, em águas costeiras e ao redor das ilhas, sendo freqüente a ocorrência de juvenis em águas temperadas.
  • Habitat: Habitualmente em águas costeiras com muita vegetação (áreas de forrageio), ilhas ou baías onde estão protegidas, sendo raramente avistadas em alto-mar.
  • Tamanho: Até 143cm de comprimento curvilíneo de carapaça.
  • Peso: Média de 160kg.
  • Casco (carapaça): Quatro pares de placas laterais de cor verde ou verde-acinzentado escuro; marrom quando juvenis.
  • Cabeça: Pequena, com um único par de escamas pré-frontais e uma mandíbula serrilhada que facilita a alimentação.
  • Nadadeiras: Anteriores (dianteiras) e posteriores (traseiras) com uma unha visível.
  • Dieta: Varia consideravelmente durante o ciclo de vida: enquanto filhote é uma espécie onívora com tendências carnívoras, tornando-se basicamente herbívora a partir dos 25 a 35 cm de casco.
  • Nº de ninhos no Brasil: Aproximadamente 4.800 por temporada.
  • Curiosidades: As áreas de desova no Brasil são as Ilhas oceânicas de Trindade, Reserva Biológica do Atol das Rocas e Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha.

TARTARUGA DE PENTE OU TARTARUGA LEGÍTIMA:

  • Nome Científico: Eretmochelys imbricata
  • Nomes comuns: Tartaruga-de-pente ou Tartaruga-legítima
  • Status internacional: Criticamente em Perigo (classificação da IUCN)
  • Status no Brasil: Criticamente em Perigo (classificação do MMA)
  • Distribuição: É considerada a mais tropical de todas as tartarugas marinhas e está distribuída entre mares tropicais e por vezes sub-tropicais dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico.
  • Habitat: Prefere recifes de corais e águas costeiras rasas. Pode ser encontrada, ocasionalmente, em águas profundas.
  • Tamanho: Até 110 cm de comprimento curvilíneo de carapaça no Brasil.
  • Peso: Em média 86kg
  • Casco (carapaça): Quatro placas laterais de cor marrom e amarelada, que se imbricam como telhas e dois pares de escamas pré-frontais.
  • Cabeça: Relativamente pequena e alongada. O bico se assemelha ao de um falcão. Dois pares de escamas pré-frontais.
  • Nadadeiras: Anteriores (dianteiras) e posteriores (traseiras) com duas unhas (garras).
  • Dieta: Esponjas, anêmonas, lulas e camarões; a cabeça e o bico estreitos permitem buscar o alimento nas fendas dos recifes de corais.
  • Nº de ninhos no Brasil: Aproximadamente 2.200 por temporada.
  • Curiosidades: Desova no litoral norte da Bahia e Sergipe; e no litoral sul do Rio Grande do Norte.

TARTARUGA CABEÇUDA OU TARTARUGA MESTIÇA:

  • Nome Científico: Caretta caretta
  • Nomes comuns: Tartaruga-cabeçuda ou Tartaruga-mestiça
  • Status internacional: Vulnerável (classificação da IUCN)
  • Status no Brasil: Em Perigo (classificação do MMA)
  • Distribuição: Ocorre nos mares tropicais e subtropicais de todo mundo e também em águas temperadas
  • Habitat: Variável ao longo do ciclo de vida. Os filhotes e juvenis vivem em alto-mar; os adultos em áreas de alimentação situadas a profundidades entre 25 e 50m
  • Tamanho: Até 136 cm de comprimento curvilíneo de carapaça no Brasil
  • Peso: Média de 140 kg
  • Casco (carapaça): Óssea, com cinco pares de placas laterais (o que a diferencia das demais espécies), de coloração marrom-amarelado
  • Cabeça: Possui uma cabeça grande e uma mandíbula extremamente forte, com dois pares de placas pré-frontais e três pares de placas pós-orbitais
  • Nadadeiras: Anteriores/dianteiras curtas e grossas e com duas unhas; as posteriores/traseiras possuem duas a três unhas
  • Dieta: São carnívoras, alimentando-se de caranguejos, moluscos, mexilhões e outros invertebrados triturados com ajuda dos músculos poderosos da mandíbula.
  • Nº de ninhos no Brasil: Aproximadamente 8.200 por temporada.
  • Curiosidades: No Brasil, as áreas prioritárias de desova estão localizadas no Espírito Santo, Bahia, Sergipe e litoral norte do RJ.

TARTARUGA OLIVA:

  • Nome Científico: Lepidochelys olivacea
  • Nomes comuns: Tartaruga-oliva
  • Status internacional: Vulnerável (classificação da IUCN)
  • Status no Brasil: Em Perigo (classificação do MMA)
  • Distribuição: Mares tropicais e subtropicais, oceanos Pacífico e Índico. No Atlântico, ocorrem na América do Sul e na costa oeste da África.
  • Habitat: Principalmente águas rasas, mas também em mar aberto.
  • Tamanho: Média de 72cm de comprimento curvilíneo de carapaça.
  • Peso: Média de 42kg
  • Casco (carapaça): Seis ou mais pares de placas laterais, com coloração cinzenta (juvenis) e verde-cinzento-escuro (adultos)
  • Cabeça: Pequena, com mandíbulas poderosas que a ajudam na alimentação.
  • Nadadeiras: Dianteiras e traseiras com uma ou duas unhas visíveis, podendo ocorrer uma garra extra nas nadadeiras anteriores.
  • Dieta: É uma espécie carnívora. Alimenta-se de salpas, peixes, moluscos, crustáceos, briozoários, tunicados, águas-vivas, ovos de peixe e eventualmente algas.
  • Nº de ninhos no Brasil: Aproximadamente 8.700 por temporada.
  • Curiosidades: A área de desova está localizada desde o sul de Alagoas, passando por Sergipe, até o litoral norte da Bahia.

Classificação Taxonômica:

REINO: Animalia

FILO: Chordata

CLASSE: Reptilia

ORDEM: Testudines

FAMILIA: Dermochelyidae

  • Dermochelys cariacea

FAMÍLIA: Cheloniidae

  • Chelonia mydas
  • Eretmochelys imbricata
  • Careta careta
  • Lepidochelys olivacea

Fontes:

https://www.naturaecoturismo.com.br

https://www.tamar.org.br a 

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